domingo, 21 de novembro de 2010

Por trás do Castelinho da rua Apa



Por volta do meio dia o castelinho da rua Apa vira realmente um terror. Mas não pelas
histórias de assombrações e espíritos e sim pela fila que se forma de pessoas famintas ansiosas
por comida na hora do almoço.

“Que horas abrem a porta?” pergunta um. “Vê aí se já ta pronto” grita o outro que está
no final da fila e já impaciente. A fome dos moradores de rua é tanta que eles sequer se
incomodam com a nossa presença, alunos de Pós Graduação da Faculdade Cásper Líbero.

O almoço é preparado e distribuído pelos voluntários da ONG Clube de Mães do Brasil. Apesar
disso, dona Maria Eulina, fundadora da organização, diz que ainda é muito pequeno o número
de pessoas interessadas em ajudar: “Uma boa parte da sociedade me admira, mas não vem
aqui perguntar do que estou precisando”.

A ONG foi fundada há 11 anos, mas o envolvimento de Dona Maria com trabalho social
começou muito antes disso: “com um grupo de amigas, trabalhávamos dentro de favelas.
Comecei muito cedo, na favela do Jaguaré. Chegou uma época que quisemos fazer uma sede
e mandei uma carta pra dona Rute Cardoso e após 90 dias ela respondeu e mandou que a
União cedesse o prédio”.

Quando Dona Maria ficou sabendo que o local havia sido cedido, iniciou imediatamente a
construção de um galpão de três andares para que o trabalho social pudesse ser iniciado o
quanto antes. Após o levantamento do prédio, começou a dar assistência aos moradores de
rua com a alimentação. Segundo ela, em média 320 pessoas são alimentadas por dia.

A fundadora afirma que seu trabalho deu continuidade graças ao apoio de alguns voluntários
e empresas: “Recebí da Votorantim cimento, cal e ajuda de outras pessoas pra poder fazer
o prédio. Consegui fazer uma parceria com o Mac Donalds, eles trazem seus cartazes e
materiais que não utilizam para que a ONG possa fazer o trabalho de artesanato”.

A ONG possui uma oficina de costura com funcionários que são ex-moradores de rua. Eles
trabalham de segunda a sexta-feira no projeto de artesanato fazendo bolsas, aventais,
nécessaire e outros artigos que são vendidos na própria ONG e geram renda para todo o
projeto.

Outra parte me critica, não se dá ao trabalho de vir saber o que nós fazemos, hoje sábado
todos nós estamos trabalhando para a manutenção da nossa casa” São voluntários, amigos
que vem para ajudar, mas daqui mesmo do entorno ninguém quer saber

O famoso castelinho da Rua Apa, conhecido por histórias ou lendas urbanas de assombração e
espíritos, esconde em seu terreno uma realidade acolhedora e ainda pouco divulgada.

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